De Janeiro ao solstício

Eis uma resenha de algumas das coisas relevantes que foram acontecendo na Quinta desde o início do ano até ao solstício de Verão.

Janeiro-Fevereiro

O coração do Inverno foi extremamente chuvoso, mas, nos intervalos da chuva, a poda das macieiras continuou.

A chuva quase não deu descanso à paisagem invernal…
… ainda assim, as podas de Inverno continuaram

Pela negativa, constataram-se os estragos da E-Redes sob a linha eléctrica de média tensão, absolutamente inúteis para o fim que têm em vista. Que fácil é destruir, mas isso já sabíamos.

E-Redes: dizem que são faixas de “gestão de combustíveis”

Março-Abril

Em Março o tempo mudou, permitindo acelerar as podas. A constatação de uma composição pouco favorável das variedades dos pomares entre precoces e tardias, com maior presença das precoces. que não se conservam tão bem, conduziu à opção de sobre-enxertar algumas parcelas de variedades precoces, com tardias, concretamente das variedades Fuji e Goldrush. Previsto para Março, este trabalho acabou por se realizar já na segunda quinzena de Abril.

A chegada da Primavera, claro, é sempre uma festa. Este ano a Estação foi pouco chuvosa, o que por outro lado favoreceu o vingamento dos frutos e minimizou problemas fúngicos.

Soagem, uma das primeiras plantas a florescer em abundância, no início da Primavera
Um casal de típulas (dípteros) assegura a continuidade da espécie
Em Abril, a floração do pomar oferece-nos um momento único, mas efémero.
Numa jovem folha, a preciosa presença de uma joaninha-de-sete-pintas, o mais apreciado dos auxiliares
Há, contudo, outras joaninhas que, de tão pequenas, passam despercebidas. Esta, uma Tytthaspis sedecimpuntata, apareceu numa armadilha para o bichado (infelizmente!)
Ou esta, igualmente pequena, uma Calvia decemguttata

Foi também nesta Estação que se iniciou a implementação na Quinta do santuário de aves, processo que teve o seu pontapé de saída com duas jornadas de levantamento ornitológico realizadas por um ornitólogo da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves). Para “assinalar” a sua aprovação, duas espécies de andorinhas fizeram os seus ninhos bem perto das actividades humanas! Em breve a lista das espécies observadas será aqui anunciada.

Ninho de  andorinha-dáurica (Cecropis rufula) num hall de entrada
Ninho de andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) no interior do espaço de trabalho da Quinta

Em Abril foram aplicados os preparados biodinâmicos, de bosta (500) e Maria Thun, e as podas e enxertias ficaram concluídas.

Dinamização do preparado biodinâmico de bosta

Maio-Junho

Em Maio foi aplicado o preparado biodinâmico de sílica (501).

Uma zigena-de-seis-pontos (Zygaena filipendulae) num arame do pomar, em Maio

Três dias de chuva compensaram em Maio, ainda que parcialmente, a que não caíu em Abril, mas, como no ano anterior, os calores anunciadores do Verão também não tardaram em aparecer, como já tinha acontecido no ano anterior. Na primeira quinzena de Junho, os termómetros atingiram pela primeira vez os 40ºC, num dia com uma madrugada bem característica dos temidos episódios de vento leste: entre as 22h de 11 e as 2h de 12 a temperatura subiu de 21 para mais de 29ºC, nunca descendo, nessa noite, abaixo de 27ºC enquanto o vento soprava, forte e persistente, e a humidade relativa se mantinha abaixo de 30%. Depois de uma madrugada assim requentada, não admira que os termómetros rapidamente tenham escalado até 40ºC. Foi forte, para Primavera, mas felizmente fugaz: no dia seguinte arrefeceu, e até choveu! Pouco mais de 4l/m2, mas que preciosa foi!

Evolução da temperatura do ar, entre 10 e 13 de Junho (Estação meteorológica da Quinta)
Uma aranha-zebra, (Salticus scenicus) em Junho, no pomar de macieiras, uma especialista na arte de saltar
Ah! Os dípteros! É sempre bom revê-los, mesmo no fraco contraste de uma flor de papoila!

Este final de Primavera viu também acontecer uma boa notícia para a Quinta: uma nova parcela florestal foi adicionada na zona do Vale da Várzea (nascente)! Esta já era quase uma “ilha” dentro da Quinta e por isso era prioritária. O eucaliptal foi cortado, as negociações com a titular foram bem-sucedidas e agora inicia-se o difícil processo de reconversão, com a desvitalização manual das toiças de eucalipto (bem vindos, voluntários da Associação Cabeço Santo!).

A nova parcela florestal, de 1,4 ha, adicionada à Quinta. Este, pode-se dizer, é o seu momento zero do processo de reconversão (excepto numa várzea, junto ao ribeiro, que já tem folhosas autóctones)

Não é preciso andar muito, contudo, para que qualquer entusiasmo seja moderado. Por ali perto, mais um caso de aplicação de herbicida sobre o matagal de um eucaliptal. Mais um “rebite” retirado do “avião” da Vida que, multiplicado por muitos, vai comprometendo a viabilidade do seu “voo”. Mas a generalidade dos “passageiros” do “avião”, quiçá distraídos com as muitas diversões com que miríades de animadores competem pela sua atenção, seguem indiferentes. Se assim continuarão até o avião cair, algum dia se saberá…

Uma paisagem duplamente cinzenta
Contraste gritante em tempos estranhos

Mas animemo-nos! Hoje foi o solstício de Verão. A Estação não deixará de nos trazer algumas alegrias: os frutos amadurecerão, e serão colhidos. As árvores ansiarão por uns pingos de água, mas resistirão se o estio for avaro. Com sorte, as temperaturas serão elevadas, mas não tanto que convidem o perigo. E num instante, estaremos no equinócio! Vamos ver se haverá notícias da Quinta até lá!

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