A produção frutícola da Quinta é biológica, podendo o respectivo certificado ser consultado aqui.
Produção biológica não significa apenas substituir uns produtos de tratamento por outros. É, mais do que uma técnica, uma filosofia, um modo de estar na natureza em que se procura atingir o ideal da criação de um ecossistema cultural, ou seja, num contexto agrícola, de um sistema de interacções biológicas entre diferentes organismos tendencialmente equilibrado, sem que se produzam excessos populacionais (as “pragas”), nem situações de stress que vulnerabilizem as plantas, conduzindo a doenças.
Claro que nem sempre é possível atingir esse ideal, mas, mesmo quando não é, há que mantê-lo sempre como horizonte de perspectiva e tentar criar as condições para que se atinja. Num sistema policultural (com diferentes culturas e criação de animais) seria, em princípio, mais fácil atingi-lo, embora seja necessário ter também em conta a escala a que é necessário trabalhar para assegurar a viabilidade económica da exploração, algo difícil de conseguir numa zona de minifúndio como aquela em que se encontra a Quinta.
Eis as mais importantes práticas que contribuem para que o modo de produção da Quinta das Tílias seja biológico na prática, para além do certificado:
Blocos de diferentes variedades.
Selecção de variedades resistentes ao pedrado.
Utilização de porta-enxertos favoráveis ao modo de produção
Distância entre plantas na linha favorável a um bom arejamento
Manutenção de cobertura verde na entre-linha dos pomares, com promoção de espécies favoráveis (azevém, trevos).
Corte alternado em entre-linhas contíguas, para preservar o ciclo de vida dos auxiliares.


Existência de sebes nas bordaduras dos pomares, com espécies arbustivas atractivas para os auxiliares.
Existência de canteiros de plantas herbáceas atractivas para os auxiliares.

Colocação e manutenção de caixotes-ninho para as aves insectívoras.

Colocação e manutenção de “hotéis” para insectos.
Recuperação de manchas de vegetação autóctone na vizinhança dos pomares.

Monitorização da população das pragas potenciais (bichado e mosca-da-fruta). Ver também aqui.

Tratamento do bichado principalmente com recurso ao vírus da granulose (que afecta exclusivamente as larvas do bichado), e, se necessário, da bactéria Bacillus thuringiensis, mas apenas se as populações monitorizadas o justificarem.
Recurso a medidas sanitárias preventivas, sobretudo a aplicação de caldas de Inverno à base de argila de caulino. A prevenção da ocorrência do cancro dos ramos é feita com uma aplicação de calda bordalesa no final do Inverno.
Fertilização azotada orgânica e de outros nutrientes com carência identificada (sobretudo cálcio e magnésio) com produtos minerais certificados.
